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quarta-feira, 1 de agosto de 2018

O Corvair Monza GT e SS de Bill Mitchell

O belíssimo Corvair SS roadster

No começo dos anos 60, Bill Mitchell encomendou um design de um carro esporte baseado na arquitetura do Corvair para Larry Shinoda e Anatole 'Tony' Lapine. O carro era para ser chamado de Corvair GT. O design desse carro seria importante pois mostraria os caminhos para o que depois viria à ser o Corvette C3.



Larry Shinoda com o modelo em argila do Monza GT

O GT seria um novo design sobre o layout padrão do Corvair. O chassis foi encurtado em 16 polegadas e o motor, boxer seis cilindros à ar com duplo carburadores do Corvair foi instalado na frente do eixo traseiro criando um carro de motor central. Dois bancos seriam ancorados diretamente no chassis e os pedais e direção é que seriam ajustáveis para o motorista.

O Monza GT. Note as portas dos fárois que se abriam em duas partes

Uma carroceria estilo Tubarão seria instalada sob o chassis. Não haviam portas mas no lugar tinha uma capota estilo avião caça que abriria para a frente. Outra capota que se abria para trás serviria de capô ao motor.

O GT com a capota aberta.

Na frente, dois flaps serviam para escamotear os faróis - Um design complexo mas chamativo.

O SS à esquerda com o GT à direita - notem os fárois do GT com as portas abertas.

O carro foi mostrado inicialmente nas corridas em Elkhart Lake em Junho de 1962. Era um prótotipo totalmente funcional e serviu como pacecar na ocasião. A multidão adorou o carro e os mais interessados não acreditavam que, por debaixo, havia uma architectura do modesto Corvair. No dia, um engenheiro com o nome de Jim Hall (conhecido pelos carros Chaparral) se apresentou à Bill Mitchell para perguntar se seria possivel instalar um V8 central no lugar do boxer 6 dos Corvair. Foi essa conversa que deu início à parceria da GM com a Chaparral que colheria tanto sucesso no final da década de 60.

O interior do GT - bancos fixos com pedais e volante ajustáveis.

Mitchell ficou satisfeito com a atenção que o seu protótipo recebeu e resolveu continuar com a brincadeira pensando no salão de NY de 1963. Mas queria mais: um outro protótipo seria apresentado. Esse o Monza SS que é a primeira foto do post. Apesar do SS parecer apenas uma versão conversível do GT, os dois eram carros bem diferentes.

O SS visto de traseira - notem o design da tampa do motor que ficava atrás do eixo traseiro no SS.

O Monza GT tinha a denominação interna XP 797 enquanto que o SS tinha outra. Mais interessante era a importante diferença: o SS tinha motor traseiro exatamente como o Corvair e não central, como no GT, ainda que tivesse o chassis também encurtado. O SS tinha portas tradicionais e um belo parabrisa envolvente (tipo spyder) com uma tampa do motor bem esculpida. Inicialmente os faróis eram escamoteáveis mas logo foi alterado para coberturas transparentes. No deck traseiro havia um roll bar que servia também como spoiler - um belo design.

O Bertone Corvair Testudo - desenho do jovem Giugiaro

A intenção de Mitchell era estabelecer o Corvair na Europa também. A própria Porsche observou bastante o motor 6 cilindros boxes à ar do Corvair que foi a fonte inspiradora para o motor do Porsche 911 que seria lançado anos depois. A lógica de Mitchell era clara: motor traseiro na Europa não era novidade e ele achava que seu produto seria bem aceito. Mitchell resolveu fazer a mesma coisa que fez na América com o GT e SS e mandou dois chassis para duas famosas empresas: Bertone e Pininfarina. Encomendou um carro esporte à ambas.

O belo Corvair coupe de Pininfarina
Pininfarina desenhou um belo coupe que, de certa forma, inspirou a segunda geração do Corvair. Um design que deveria ser totalmente aproveitado pois era belo demais.

Vista da traseira do Corvair de Pininfarina

O desconhecido e jovem (na época) Giugiaro da casa Bertone criou o Corvair Testudo que era muito semelhante ao GT de Shinoda. O chefe de Giugiaro, Nuccio Bertone, ficou tão contente com o trabalho que resolveu usar o carro dirigindo-o sob os Alpes até o salão de Geneva. O publico Europeu adorou o esportivo arrendodado com a capota que abria para frente exatamente como o design Americano de Shinoda no Monza GT.

O belíssimo Monza SS de Mitchell

Os executivos da GM, que estavam na estréia do Testudo, ficaram chocados como o design era praticamente uma cópia do de Shinoda. De forma que foram bem duros acusando Bertone de ter plagiado o design anterior uma vez que o design de Bertone foi finalizado no final de 1962, bem depois do Corvair GT.

Bertone Corvair Testudo.

No verão Americano de 1963, Bill Mitchell tinha um bom leque de opções sob a plataforma Corvair para trabalhar. Mas a GM já estava sofrendo problemas de relações publicas com a primeira versão do Corvair no mercado com relação à sua suspensão traseira. Ralph Nader foi o advogado que defendeu consumidores que tinham sofrido acidentes com o Corvair fazendo com que o nome e o carro ficassem entitulados como perigosos. Os problemas de handling foram corrigidos no Corvair 2 mas os danos já tinham sido feito. Somados à isso a Ford lançou o Mustang e a GM cancelou o Corvair o substituindo pelo Camaro.

Corvair Testudo de Bertone

Porém os designs do Monza SS e GT não iriam ser disperdiçados achando seu caminho em vários carros conceitos que culminaram no Corvette C3, vulgo tubarão. Seria, porém, muito interessante ter visto o Monza SS e GT terem sido produzidos o que provavelmente teria alterado a filosofia de desenho do Corvette. Mas não era para ser.

Os faróis do Monza GT de Shinoda com dupla portas estilo concha.

Corvair Monza GT.

Um comentário:

Luiz disse...

Bela matéria!